STJ manda soltar MC Poze, mas outra decisão o mantém preso
STJ manda soltar MC Poze do Rodo O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar nesta quinta-feira (23) o MC Poze do Rodo, que foi preso no dia 15 em uma o...
STJ manda soltar MC Poze do Rodo O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar nesta quinta-feira (23) o MC Poze do Rodo, que foi preso no dia 15 em uma operação da Polícia Federal (PF). Mas uma decisão logo na sequência, da Justiça Federal de Santos, a pedido da Polícia Federal, manteve o cantor na cadeia, em prisão preventiva. Poze permanecerá no Presídio Joaquim Ferreira, um anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, ou Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó. O ministro do STJ Messod Azulay Neto, relator do caso, havia concedido um habeas corpus para o MC Ryan SP, mas a decisão valia também para os demais presos na operação, como Poze e Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei. A nova decisão, da Justiça Federal, também vale para os três. Eles foram alvo de uma operação da PF contra uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e de fazer transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão. O advogado afirmou que o novo pedido feito pela PF não apresenta fatos novos e criticou a condução do caso (veja a nota completa ao fim da reportagem). Segundo o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, o artista foi surpreendido pela prisão e nega qualquer irregularidade. "A concessão de um habeas corpus de um dos investigados no STJ estende-se a todos por levar luz a uma questão simples: o prazo requerido pela Polícia Federal era de 5 dias, mas inusitadamente fora concedido pelo Juízo um de 30 dias", disse o advogado após a decisão do STJ. "Passados os cinco dias sem pedido de renovação por parte da Polícia Federal, a manutenção da prisão é ilegal" acrescentou. Com a nova decisão, de prisão preventiva, os acusados não têm prazo definido para deixar a cadeia. Quem são os principais alvos presos na megaoperação da PF: funkeiros e influenciadores MC Poze é preso em casa no Recreio, na Zona Sudoeste do Rio Reprodução / TV Globo A Operação Narco Fluxo Segundo a PF, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Cerca de 200 policiais federais saíram para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. Também foi determinado o sequestro de bens. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que subsidiarão o aprofundamento das investigações. MC Poze é preso em casa no Recreio dos Bandeirantes Reprodução Outras prisões No ano passado, o MC foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do RJ, por apologia ao crime e por envolvimento com o tráfico de drogas — na ocasião, o cantor também era investigado por lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo a DRE, Poze realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pelo CV, com a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis, a fim de garantir a “segurança” do artista e do evento. Ainda de acordo com a delegacia, o repertório das músicas de Poze “faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo” e “incita confrontos armados entre facções rivais, o que frequentemente resulta em vítimas inocentes”. A especializada afirma que shows de Poze são estrategicamente utilizados pela facção “para aumentar seus lucros com a venda de entorpecentes, revertendo os recursos para a aquisição de mais drogas, armas de fogo e outros equipamentos necessários à prática de crimes”. “A Polícia Civil reforça que as letras extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão e artística, configurando crimes graves de apologia ao crime e associação para o tráfico de drogas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e os financiadores diretos dos eventos criminosos”, declarou a instituição. A prisão foi em 29 de maio. Em 3 de junho, ele foi solto, após a Justiça conceder um habeas corpus. Seis anos antes, em 28 de setembro de 2019, Poze foi preso em flagrante após um show em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. A Polícia Militar mato-grossense disse ter recebido diversas denúncias sobre a festa em uma boate no bairro Setor Industrial onde ocorria um baile funk com a presença do músico carioca. A denúncia dizia que havia diversos menores de idade que consumiam bebida alcoólica e droga na festa, além de apontar o MC como responsável por incitar crimes. Uma força-tarefa de policiais militares, civis e Conselho Tutelar foi até o evento, que acabou fechado pelas autoridades. Pelo menos 40 menores foram flagrados consumindo bebidas alcoólicas e usando maconha e cocaína e foram encaminhados ao Conselho Tutelar. Outros 3 homens foram presos, além de Poze, apontados como organizadores do evento. Nota da defesa de MC Poze “O novo pedido de prisão feito pela Polícia Federal não traz absolutamente nada de novo. Pior: alega impossibilidade de análise de todos os materiais coletados anteriormente mas contou com o Delegado responsável participando de entrevistas e compartilhando dados e informações de uma investigação sigilosa durante o final de semana. Já nos manifestamos nos autos indicando o caráter inusitado do pedido, requerendo ao Juízo que não corrobore com essa tentativa oblíqua de subverter uma decisão do Superior Tribunal de Justiça e ao Ministério Público que apure eventuais crimes de abuso de autoridade, em especial pelo vazamento das imagens do cumprimento da prisão temporária na residência de nosso constituinte.”